Calor extremo mata mais de 50 mil na Europa em 2026
Publicado em 22/10/2026
As ondas de calor intenso que castigaram o território europeu durante o verão de 2026 resultaram em mais de 50 mil óbitos em zonas urbanas do continente. O levantamento científico, submetido a revisão por pares, aponta que cerca de dois terços dessas fatalidades foram impulsionadas diretamente pelas mudanças climáticas decorrentes da ação humana e da queima contínua de combustíveis fósseis.
Impacto recorde e comparação histórica
O trabalho foi conduzido por especialistas do Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Ao examinarem 854 centros urbanos em 30 países do continente, cruzando dados meteorológicos, demográficos e taxas de mortalidade, os cientistas constataram que 2026 teve o verão mais letal por altas temperaturas desde o início da série histórica em 2000.
O volume de vidas perdidas supera em cerca de 71% o patamar registrado no verão de 2002 e 2022, quando o fenômeno levou a aproximadamente 29,4 mil óbitos nas mesmas regiões. O histórico verão de 2003, conhecido por suas ondas de calor severas, havia contabilizado cerca de 28,4 mil mortes.
Picos de temperatura e danos colaterais
- Um terço das mortes ocorreu entre 17 de junho e 1º de julho, fase em que os termômetros ficaram 5,3 °C acima da média.
- Em algumas localidades específicas, a variação térmica positiva bateu a marca de 12 °C em relação ao clima habitual.
- O cenário extremo colocou trabalhadores externos em risco e alimentou incêndios florestais massivos na Espanha e na França, forçando a desocupação de cerca de 300 mil pessoas.
O período de 2026 entrou para a história climática como o verão mais quente já documentado na Europa Ocidental e o terceiro mais intenso no cômputo geral do continente.
Grupos de risco e necessidade de prevenção
Indivíduos com 85 anos ou mais concentraram mais da metade das ocorrências fatais relacionadas ao clima quente. No entanto, o perigo não se limitou à terceira idade: o estudo apontou mais de 800 óbitos na faixa etária de 20 a 44 anos, conforme destacou o pesquisador Garyfallos Konstantinoudis.
A cientista Clair Barnes ressalta que fatores como idade, nível socioeconômico, infraestrutura urbana e acesso à saúde influenciam diretamente na vulnerabilidade de cada população. Com governos britânicos, franceses, alemães e espanhóis ampliando o acompanhamento em tempo real desses impactos, especialistas reforçam a urgência de implementar alertas precoces, facilitar o resfriamento urbano e cortar emissões de gases estufa para mitigar futuras tragédias.
Fonte: olhardigital.com.br
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